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Perdão: ensine seus filhos desde a primeira idade

A literatura médica e os estudos do desenvolvimento infantil já têm comprovações suficientes para acreditarmos que o que oferecemos às crianças tem impacto sobre sua vida inteira. Há estudos que relacionam, inclusive, as condições físicas e emocionais da mulher, antes mesmo de engravidar, ao intelecto do filho que vier a ser concebido e nascer.

Desde a concepção até a idade da razão, por volta dos 7 anos de idade e, mais ainda, até o fechamento do ciclo da infância, as coisas que as crianças ouvem, testemunham e colhem do ambiente em que vivem, tornam-se parte das memórias e impactam no desenvolvimento cerebral, afetivo, psíquico e físico. O que diremos, então, sobre a experiência do perdão para os nossos filhos? Como as crianças aprenderão a perdoar?

Santo Antônio Maria Claret tem um célebre texto de conselhos que oferece aos pais e mães na educação dos filhos. Um desses conselhos é sobre a instrução, educação das crianças para as virtudes. “Sabeis, ó pais, que a vossa família é como uma horta, que se deve cultivar continuamente, lançando à terra boas sementes e inutilizando as ervas daninhas”, diz o santo. Com o perdão é a mesma coisa.  Ninguém nasce sabendo o que é certo e errado. A virtude do perdão será aprendida e internalizada na medida em que essa criança é perdoada, pede perdão e vê o perdão entre aqueles que estão à sua volta.

O desenvolvimento da consciência moral da pessoa acontece com o tempo. Os valores morais são adquiridos por meio dos hábitos culturais, sociais e ambientais. E neste ponto os pais são grandes responsáveis por este processo. Por isso, é muito importante refletir sobre como este aspecto é vivido e abordado em sua casa.

 

Dedique mais tempo aos seus filhos

“Não temos tempo!” – Tempo é, sim, um fator importante na educação dos filhos, de modo geral, mas principalmente na “educação para o amor”. O que podemos fazer, então, se não conseguimos encontrar tempo para eles? São Tomás de Aquino responde: “O pai e a mãe não são somente a base da geração e da criação desses entes que lhes foram confiados pelo Pai Eterno.[…] E assim como teriam escrúpulos de deixar um filho morrer de fome, do mesmo modo terão escrúpulos de deixá-lo morrer nos braços do vício pela falta de instrução, vítima da ignorância e do erro”. É preciso, então, tirar um raio-x da nossa rotina e escolher “investir tempo” de convivência – para que as crianças aprendam não apenas com lições teóricas sobre o amor e o perdão, mas na vida prática –. É preciso acreditar que o alimento sólido, o bem estar físico é tão vital quanto o alimento da alma e o crescimento nas virtudes.

 

Busque harmonia familiar

Ainda que a criança não esteja crescendo no ambiente mais adequado e ideal, é preciso buscar harmonia familiar. Casais que brigam, gritam e se agridem na frente dos filhos podem estar contribuindo de forma muito negativa no desenvolvimento dessas crianças. A harmonia familiar não significa ausência de conflitos, dificuldades e problemas. Se houve um desentendimento, que os pais ou os responsáveis pela criança façam um esforço para, assim como a briga foi explícita, que a reconciliação também seja. As demonstrações públicas de afeto e amor dos pais são um sinal autêntico de que o perdão e o amor são um caminho feliz.

 

Cultive a vida interior em sua família

É belo ver – em missas, orações e celebracões – crianças acompanhadas de pessoas de sua confiança e que, livremente, reproduzem posturas e pequenos atos de piedade. Desde a mais tenra idade, a grande predisposição das crianças é aprender. Se estão brincando, estão aprendendo. Se estão observando, estão aprendendo. Só o fato de estarem em um ambiente de oração, estão, também, aprendendo a rezar e a identificar o sagrado.

É importante, também, considerar que o cultivo da vida espiritual na família não seria, apenas, para fins educativos, mas principalmente para que toda essa família esteja aberta à graça de Deus. Viver o perdão é um excercício de vontade e liberdade, mas é, sobretudo um dom divino.

 

Faça a experiência!

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